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Nocas

"To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all." —Oscar Wilde

Nocas

"To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all." —Oscar Wilde

oficialmente uma...

Voltei! Desta vez sem promessas de escrever muito ou pouco. Decidi voltar e pronto. E voltei porque a minha vida acaba de mudar completamente.

 

Se há um ano estava a preparar-me para um ano de voluntariado na Alemanha, este ano estou-me a preparar para mudar-me para lá, de vez. Por muito que eu goste da minha família e dos meus amigos, do solinho, da comidinha boa e do nosso querido português, é na Alemanha que tenho a pessoa que eu amo. É uma loucura, eu sei, mas a loucura sabe tão bem…

 

Mas não se preocupem. Não vou completamente às cegas. O meu ano a fazer voluntariado ajudou-me um pouco com o meu alemão e, entretanto, arranjei um “mini-job” (que vos falarei num outro post), que me vai permitir pagar as contas e continuar a aprender alemão ao mesmo tempo. 

 

 

Ainda não tinha pensado nisto, e dito assim soa estranho, mas, sou oficialmente uma emigrante!

primeiro dia (parte dois)

Quando cheguei a Frankfurt (Oder) passavam já 45 minutos da hora prevista inicialmente. Estava planeado ter alguém à minha espera, mas não sabia quem e, muito menos, como eram. Olhei em redor da plataforma, mas nada. Não havia ninguém com cara de quem esperasse alguém. Sabia que tinha dito em que plataforma chegaria. Pânico. Será que se tinham esquecido de mim? Será que não se tinham esquecido, mas assumiram que não vinha? No fim de contas, estava 45 minutos atrasada e não tinha enviado qualquer mensagem a avisar...

 

Após certificar-me que não havia qualquer pessoa na plataforma, decidi então descer até à entrada da estação. Sentia incerteza e, principalmente, receio. A verdade é que não tinha conhecimento do aspecto físico das pessoas que me esperariam e receava que elas também não o tivessem acerca de mim. Para além disso, assombrava-me a ideia que não teria ninguém à minha espera. Era tarde, a bateria do telemóvel estava prestes a acabar e já tinha tido provas que afinal nem todos os alemães falavam inglês - pânico, outra vez.

 

Ao aproximar-me da entrada, avistei duas pessoas a olharem fixamente para mim. As suas caras diziam que esperavam alguém, mas não sabiam quem. Presumi que fosse eu e dirigi-me então a elas. Traziam um ramo de flores e um sorriso que foi mais que suficiente naquele momento. Quando chamaram pelo meu nome, sorri de volta e senti um alívio tão grande, que todo o cansaço, fome e sono que sentia até então tinham desaparecido. Estava radiante!

 

Levaram-me até ao hostel onde ficaria hospedada durante o tempo de voluntariado. Mostraram-me o meu quarto e a casa-de-banho e encomendaram pizza para que eu pudesse finalmente jantar. Após terem a certeza que estava tudo bem comigo, disseram-me para estar pronta às 10 da manhã e desejaram-me Gute Nacht! (= Boa noite!). O cansaço acabou então por levar a melhor e, poucos minutos após a sua saída, adormeci.

 

primeiro dia (parte um)

A minha primeira semana em Frankfurt (Oder) pode bem ser resumida numa só palavra: pânico. 

 

Tudo começou no primeiro dia, na viagem entre Hamburgo (onde aterrei) e Frankfurt. O plano era simples: apanhava o comboio até Berlim e aí trocaria para um que me levaria ao tão desejado destino. O bilhete fora comprado umas semanas antes, de forma a assegurar um preço adequado ao orçamento que tinha disponível para a viagem, e era acompanhado por um documento com informações acerca do itinerário, nomeadamente, as estações de embarque e desembarque e as respectivas horas de partida e chegada e plataformas. Era claro, pensava eu: apenas teria de trocar uma vez, em Berlim.

 

Mas claramente, não era assim tão claro. Após sair em Berlim, dirigi-me à plataforma onde apanharia então o comboio para Frankfurt. No documento estava implícito que não era necessário trocar novamente, pelo que não me preocupei em verificar onde Fürstenwalde (estação-destino do comboio) era. Assumi que era após Frankfurt. Assumi mal. Quando dei por mim, tinha chegado a Fürstenwalde e sem sinal de Frankfurt. Tinha a certeza que nenhuma das estações pelas quais o comboio tinha passado era Frankfurt. E tinha a certeza que, onde eu estava, não era Frankfurt. 

 

Estava em pânico. Estava frio, era de noite e sabia que não chegaria no comboio que era expectável chegar. Mandei mensagem ao meu namorado (que é alemão), mas nada. Provavelmente, ainda estava no comboio e sem rede, pensei eu. Pensei mandar mensagem às pessoas da instituição de acolhimento, mas sabia que provavelmente receberia uma resposta em alemão, o que não me ajudaria nesse momento. Tentei então perguntar a alguém na estação. Ninguém falava inglês, pelo que o meu alemão (cof cof) teria de ser suficiente. Sabia dizer o nome da cidade para onde queria ir, plataforma (porque estava escrito no documento do itinerário) e os números.

 

Foi suficiente e, ainda que atrasada, cheguei a Frankfurt.