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Nocas

"To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all." —Oscar Wilde

Nocas

"To live is the rarest thing in the world. Most people exist, that is all." —Oscar Wilde

primeira semana em magdeburg

Faz mais de uma semana que estou a viver em Magdeburg. Basicamente, tem sido uma correria. Entre desfazer malas, arrumar a casa, visitar o centro de emprego e tratar de outras tantas burocracias, não tem restado tempo para muito mais.

Estava tão feliz e entusiasmada na sexta-feira passada para deixar o hostel onde estava a viver em Frankfurt (Oder), que nem pensei nas tantas coisas que eram necessárias tratar em Magdeburg. Tem sido exaustivo e estressante. E, enquanto não resolver tudo o que tenho a resolver, vai continuar assim.

Mas tenho de estar grata de ter o M. comigo. Apoia-me incondicionalmente e incentiva-me a  continuar e não desistir. Está lá sempre. E isso é mais do que eu posso pedir. 

 

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No passado domingo pesei-me. Péssima ideia. Pesava mais do que quando cheguei do meu semestre em Erasmus e nunca achei que isso fosse possível. Setenta.  Setenta quilinhos. A última vez que me tinha pesado tinha sessenta e cinco (e já estava a pensar perder um ou dois) e agora tinha mais cinco.

Prometi a mim mesma e ao M. que enquanto não atingir os sessenta três, estou em regime de dieta. Isto quer dizer: cortar nos hidratos (principalmente açúcares), na gordura e no álcool! Para além disso, a prática de exercício físico começa a ser mais frequente.

Este mês é o mês sem álcool. Quero com isto dizer que vou estar um mês inteirinho sem pegar no meu vinho do porto ou na minha cerveja de cereja. Parece fácil, mas quando se vive num país como a Alemanha, torna-se tudo mais complicado.... Mas como é um desafio de ambos (meu e do M.), estou confiante que vai ser bem sucedido. 

Até agora, conto cinco dias de dieta, dois dias de exercício físico e nada de álcool! Para além disso, os números da balança têm sido mais simpáticos. Mas falemos deles no final do mês, quando for visitar a família e ter a minha avozinha com a sua feijoada ou os seus bifinhos com cogumelos à minha espera...

Boa semana a todos que por aqui aparecem!

oficialmente uma...

Voltei! Desta vez sem promessas de escrever muito ou pouco. Decidi voltar e pronto. E voltei porque a minha vida acaba de mudar completamente.

 

Se há um ano estava a preparar-me para um ano de voluntariado na Alemanha, este ano estou-me a preparar para mudar-me para lá, de vez. Por muito que eu goste da minha família e dos meus amigos, do solinho, da comidinha boa e do nosso querido português, é na Alemanha que tenho a pessoa que eu amo. É uma loucura, eu sei, mas a loucura sabe tão bem…

 

Mas não se preocupem. Não vou completamente às cegas. O meu ano a fazer voluntariado ajudou-me um pouco com o meu alemão e, entretanto, arranjei um “mini-job” (que vos falarei num outro post), que me vai permitir pagar as contas e continuar a aprender alemão ao mesmo tempo. 

 

 

Ainda não tinha pensado nisto, e dito assim soa estranho, mas, sou oficialmente uma emigrante!

run, nocas, run

Nas resoluções para 2017, escrevi que queria correr 10 km em menos de uma hora. Ambicioso, pensei eu. Tinha começado a correr nem há duas semanas e só no dia anterior tinha conseguido correr 5 km sem parar. Para além disso, sempre fui uma preguiçosa no que toca a exercício físico, pelo que acreditava que não duraria muito até desistir de tal objetivo.

 

Mas talvez não seja bem assim....

 

Há dez dias atrás tinha o objetivo de correr 6 km sem parar. No início sentia-me exausta, desanimada, nada crente. Contudo, com o passar dos quilómetros, tudo mudou. Comecei a aquecer e a regular melhor a respiração. Consegui afastar os pensamentos maus que me diziam para desitir e concentrei-me no objetivo. Com o aproximar dos 6 km, decidi continuar e não parar já ali.

 

Corri 10 km. Sem parar. Sem uma única paragem. E acabei a sorrir. Estava tão feliz e tão orgulhosa de mim própria que não conseguia parar de sorrir.

 

Agora é só correr mais rápido. Tipo, 12 minutos. Só isso. Apenas 12 looooongos minutos.

 

Mais alguém aqui com objetivos semelhantes? Contem tudo!

nós e os alemães

Localizada bem no centro da Europa, a Alemanha é uma república parlamentar federal de dezesseis estados com pouco mais de 82 milhões de habitantes (oito vezes a população portuguesa - coisa pouca...). Berlim é a capital e a cidade mais populosa do país, possuindo ainda o estatuto de estado (Stadtstaaten). Tal como nós, a Alemanha é membro da União Europeia e usa a moeda comum, o euro. O país possui a maior economia da Europa e é uma das maiores potências a nível mundial..

 

Como já vos disse, vivo actualmente na Alemanha. Estou a realizar um programa de voluntariado com a duração de um ano e estou prestes a completar o meu quinto mês por terras de Angela Merkel.

 

Estes últimos meses têm sido um misto de sentimentos, uma verdadeira loucura e uma completa aventura. Tenho aprendido imenso, sobretudo, sobre mim. Aprendi que se não perco 5 minutos a fazer a lista de compras, perco 3 horas no supermercado. Ou que sou óptima a poupar dinheiro e péssima a gastá-lo (noutras palavras, uma completa sovina, até para comigo).

 

Mas também tenho aprendido sobre a Alemanha e sobre os alemães. Sobre as "pequenas" diferenças entre eles e nós. E é sobre isso que pretendo escrever na minha nova rúbrica, "nós e os alemães". É sobre tradições, pensamentos, comportamentos. É um pouco de tudo e um pouco de nada. 

 

Espero que gostem!

adeus 2016!

Este ano foi, sem sombra de dúvidas, um dos anos mais felizes da minha vida. Todas as experiências que tive, todos os lugares que visitei e todas as pessoas que tive o prazer de conhecer, transformaram-no num dos mais inesquecíveis e especiais.

 

Contudo, 2017 é já amanhã e como o passado já lá vai, achei que hoje seria um óptimo dia para falar dos meus planos, desejos e ambições para o próximo ano. Aqui vai:

 

  1. Não à procrastinação. Agora que entreguei a tese de Mestrado, sinto que tenho demasiado tempo livre e que não o estou a rentabilizar da melhor forma. Chega de não fazer nada! 
  2. Ler mais. Se bem me recordo, li um livro em 2016. Vergonha... Muita vergonha... Por isso, este ano comprometo-me a ler, pelo menos, um livro por mês.
  3. Escrever mais. Um ou dois posts por semana já não era mau.
  4. Correr mais. Principal objetivo: 10 km em menos de 1 hora.
  5. Comer melhor. Menos açúcar, menos gordura saturada. Beber refrigerantes, no máximo, uma vez por mês. Fast-food, idem idem aspas aspas. Preparar semanalmente um plano alimentar equilibrado.
  6. Beber água, muita água. Diariamente, 1,5 a 2 litros de água (ou chá).
  7. Falar alemão. Não é nada fácil, mas também não é impossível. Neste momento estou no nível A1 (muito próximo do A2, acredito eu), mas o meu grande objetivo para daqui a 6 meses é que seja B1. Bitte!!
  8. Conhecer um novo país. Considero-me uma sortuda por já ter tido a oportunidade de conhecer quase duas mãos cheias de países, mas não me considero totalmente satisfeita. Se há oportunidade para tal, porque não?
  9. Projecto Nordstern. Vamos chamá-lo assim. Um dos grandes objectivos para 2017 é desenvolver o meu próprio projecto na instituição onde estou a trabalhar. Só preciso da ideia.
  10. Ser feliz. Cliché!

 

Que sejas muito bem-vindo, 2017!

primeiro dia (parte dois)

Quando cheguei a Frankfurt (Oder) passavam já 45 minutos da hora prevista inicialmente. Estava planeado ter alguém à minha espera, mas não sabia quem e, muito menos, como eram. Olhei em redor da plataforma, mas nada. Não havia ninguém com cara de quem esperasse alguém. Sabia que tinha dito em que plataforma chegaria. Pânico. Será que se tinham esquecido de mim? Será que não se tinham esquecido, mas assumiram que não vinha? No fim de contas, estava 45 minutos atrasada e não tinha enviado qualquer mensagem a avisar...

 

Após certificar-me que não havia qualquer pessoa na plataforma, decidi então descer até à entrada da estação. Sentia incerteza e, principalmente, receio. A verdade é que não tinha conhecimento do aspecto físico das pessoas que me esperariam e receava que elas também não o tivessem acerca de mim. Para além disso, assombrava-me a ideia que não teria ninguém à minha espera. Era tarde, a bateria do telemóvel estava prestes a acabar e já tinha tido provas que afinal nem todos os alemães falavam inglês - pânico, outra vez.

 

Ao aproximar-me da entrada, avistei duas pessoas a olharem fixamente para mim. As suas caras diziam que esperavam alguém, mas não sabiam quem. Presumi que fosse eu e dirigi-me então a elas. Traziam um ramo de flores e um sorriso que foi mais que suficiente naquele momento. Quando chamaram pelo meu nome, sorri de volta e senti um alívio tão grande, que todo o cansaço, fome e sono que sentia até então tinham desaparecido. Estava radiante!

 

Levaram-me até ao hostel onde ficaria hospedada durante o tempo de voluntariado. Mostraram-me o meu quarto e a casa-de-banho e encomendaram pizza para que eu pudesse finalmente jantar. Após terem a certeza que estava tudo bem comigo, disseram-me para estar pronta às 10 da manhã e desejaram-me Gute Nacht! (= Boa noite!). O cansaço acabou então por levar a melhor e, poucos minutos após a sua saída, adormeci.

 

primeiro dia (parte um)

A minha primeira semana em Frankfurt (Oder) pode bem ser resumida numa só palavra: pânico. 

 

Tudo começou no primeiro dia, na viagem entre Hamburgo (onde aterrei) e Frankfurt. O plano era simples: apanhava o comboio até Berlim e aí trocaria para um que me levaria ao tão desejado destino. O bilhete fora comprado umas semanas antes, de forma a assegurar um preço adequado ao orçamento que tinha disponível para a viagem, e era acompanhado por um documento com informações acerca do itinerário, nomeadamente, as estações de embarque e desembarque e as respectivas horas de partida e chegada e plataformas. Era claro, pensava eu: apenas teria de trocar uma vez, em Berlim.

 

Mas claramente, não era assim tão claro. Após sair em Berlim, dirigi-me à plataforma onde apanharia então o comboio para Frankfurt. No documento estava implícito que não era necessário trocar novamente, pelo que não me preocupei em verificar onde Fürstenwalde (estação-destino do comboio) era. Assumi que era após Frankfurt. Assumi mal. Quando dei por mim, tinha chegado a Fürstenwalde e sem sinal de Frankfurt. Tinha a certeza que nenhuma das estações pelas quais o comboio tinha passado era Frankfurt. E tinha a certeza que, onde eu estava, não era Frankfurt. 

 

Estava em pânico. Estava frio, era de noite e sabia que não chegaria no comboio que era expectável chegar. Mandei mensagem ao meu namorado (que é alemão), mas nada. Provavelmente, ainda estava no comboio e sem rede, pensei eu. Pensei mandar mensagem às pessoas da instituição de acolhimento, mas sabia que provavelmente receberia uma resposta em alemão, o que não me ajudaria nesse momento. Tentei então perguntar a alguém na estação. Ninguém falava inglês, pelo que o meu alemão (cof cof) teria de ser suficiente. Sabia dizer o nome da cidade para onde queria ir, plataforma (porque estava escrito no documento do itinerário) e os números.

 

Foi suficiente e, ainda que atrasada, cheguei a Frankfurt. 

sobre mim

Olá! Daqui é a Inês e escrevo-vos do outro lado da Europa, mais especificamente, de Frankfurt (Oder), uma pequena cidade alemã junto à fronteira com a Polónia. No próximo dia 5 de Novembro, faz hoje 2 meses desde que embarquei (muito provavelmente) na maior loucura (até agora) da minha vida. Para celebrar (antecipadamente), decidi iniciar um blog, de forma a poder transmitir-vos como tem sido (e como será) esta aventura.

 

Tudo começou em meados de Maio, quando escrevia a minha tese de Mestrado. Tinha ainda quatro meses pela frente, mas já me encontrava a realizar alguns processos de recrutamento e selecção. Sabia que o final da minha vida académica se aproximava e que o próximo passo seria o mercado de trabalho. Contudo, após algumas rejeições, comecei a pensar qual seria o meu problema. O meu percurso académico não poderia ser - tinha frequentado uma das melhores escolas de gestão do país e até terminei (ou ia terminar), tanto a licenciatura, como o mestrado, com uma boa média. Portanto, deduzi que o problema seriam as minhas soft skills. As entrevistas e, principalmente, as dinâmicas de grupo nas quais participei exigiam que fosse uma pessoa confiante, comunicativa e com uma boa gestão de stress. Não o fui. E comecei a duvidar que o fosse tão rapidamente.

 

Pensei então em alternativas. Não haviam muitas. Pensei em fazer voluntariado na Ásia. Mas exigiam dinheiro. Pensei em fazer voluntariado na América Latina. Mas exigiam dinheiro. Não podia (e não queria) continuar dependente do dinheiro do meu pai e todos estes destinos fora da Europa exigiam que pagasse uma (boa) quantia de dinheiro por apenas umas semanas. Mas a União Europeia tem coisas fixes e o voluntariado é uma delas. No início duvidei, mas após alguma pesquisa comecei a ficar entusiasmada. 

 

O Serviço de Voluntariado Europeu é um programa de voluntariado a tempo inteiro dirigido aos jovens entre os 18 e os 30 anos, num país que não o de residência e com uma duração até 12 meses. As áreas abrangidas são diversas, tais como ambiente, desporto, serviço social ou arte. O melhor é que inclui viagem de ida e volta (até uma certa quantia, consoante a distância entre a organização de envio e a de acolhimento), alojamento, alimentação, seguro, transporte do alojamento até ao local de trabalho, apoio linguístico e uma pequena quantia de "dinheiro de bolso" (que varia consoante o custo de vida de cada país).

 

Era o que precisava: obrigava-me a arriscar e a sair da minha zona de conforto. Escolhi candidatar-me a um centro juvenil na Alemanha. Aprender alemão era desafio suficiente, mas ter que lidar com crianças que apenas falam alemão, obrigava-me, definitivamente, a sair da minha zona de conforto, a ser mais confiante, mais comunicativa e, sem dúvida, a aprender a gerir o stress.

 

Era o que eu precisava. E é onde eu estou agora.